O que há por trás das festas juninas?

Inicialmente realizados pelos adeptos do paganismo, os festejos de junho conservam indícios de feitiçaria

As populares festas juninas envolvem diferentes formas de celebração, de acordo com o país. No Brasil, são voltadas para os personagens bíblicos Pedro e João Batista, tidos como santos, assim como o “canonizado” frade português Antônio de Lisboa, que viveu na virada dos séculos 12 e 13. Aqui, as festas não seguem exatamente os dias voltados para eles nos calendários, mas abrangem os meses de junho e julho. Porém, a devoção aos “santos” perdeu campo, e a temática rural é o maior foco, com vestimentas e comidas típicas do interior.


A origem das festas estaria nas celebrações pagãs do solstício de verão – quando a incidência solar medida a partir da linha do Equador (ou seja, a claridade, o “dia”) é a maior do ano –, simbolicamente o início “oficial” do verão e, portanto, o início da época de plantio. Como o solstício coincide com as datas voltadas aos “santos”, o sincretismo religioso se apoderou da festa com o pretexto de celebrá-los, na Idade Média.


A palavra “junina” remete à deusa pagã Juno, que a Igreja Católica adaptou para “joanina”, relativa a João. Hoje, se fala “junina” por muitos usarem a palavra relativa ao mês de junho.


Por muitos cristãos, as festas são vistas como idólatras, enquanto outros consideram que não se desligaram da origem pagã, sobretudo pelas crendices que remetem à feitiçaria, como as chamadas “simpatias”.


Não só as festas dos “dias de santos” estão no contexto junino. No Brasil, 12 de junho, o Dia dos Namorados, foi instituído na véspera do Dia de Santo Antônio, tido pelos seus adeptos com o “santo casamenteiro” – assim como os namorados do Hemisfério Norte a atrelaram ao dia de São Valentim, 14 de fevereiro. Só que, nem para a Igreja Católica, Valentim é um santo oficial, pois não há dados suficientes para comprovar se sua história é real – a de um bispo que realizava casamentos secretamente em uma época em que eram proibidos pelo imperador romano Cláudio II, no século III. Muitas são as “simpatias” para se conseguir um cônjuge nessas datas. Dessa forma, é compreensível que muitos não separem as festas juninas do paganismo.


Fogo e danças

Ligadas ou não ao catolicismo sincrético, as fogueiras que os pagãos acendiam para a festa do solstício permaneceram em várias culturas, ainda que hoje não tenham mais tanto sentido católico ou pagão para muitos, como a festa do Halloween. As imensas fogueiras da festa de Midsummer (meio-verão) são bastante presentes (principalmente em margens de rios, lagos ou praias oceânicas) no Norte da Europa, em países como Suécia, Noruega, Lituânia, Letônia, Finlândia, Estônia e Dinamarca, da mesma forma que outras nações europeias, a exemplo do Reino Unido, Irlanda, Galícia, Espanha, França, Itália, Malta, Portugal, Polônia, Rússia e Ucrânia. A colonização anglo-saxã levou o costume para países como Estados Unidos, Canadá (onde os festejos se misturam à data máxima da província francófona do Quebec, em 24 de junho) e Austrália.


No solstício de inverno, as pessoas faziam um percurso em grupo, em filas, portando tochas, com as quais acendiam a fogueira – de onde teria vindo o costume das procissões com velas acesas. Para eles, o fogo afugentava os maus espíritos. Daí também teriam vindo as lanternas coloridas de papel.


A Igreja Católica medieval tentou se apoderar das fogueiras usando-as como um símbolo pseudocristão. Criaram a tradição com base em uma lenda em que Isabel, prima de Maria, mandou acender uma fogueira no alto de uma montanha para avisar a mãe de Jesus que engravidara (de João Batista).


Quando os colonizadores portugueses trouxeram os festejos juninos para cá, incluíram a tradição dos fogos de artifício (para “acordar” João Batista) e os balões (que levavam pedidos ao céu). No Brasil, a prática de soltar balões é oficialmente proibida, pelos sérios riscos de incêndio – ainda assim, muitos contrariam a lei e causam desde sérios prejuízos materiais a graves ferimentos, ou até mortes.


As danças, por sua vez, têm origem tanto nas coreografias pagãs, para adorar falsos deuses, quanto na dança de salão francesa quadrille (de onde vem seu equivalente em português, “quadrilha”), uma evolução da antiga contradança – que deriva de danças inglesas de camponeses (mais uma vez a ligação com a lavoura). Como hábitos franceses eram um grande interesse dos portugueses e foram amplamente difundidos na corte brasileira a partir da vinda de D. João VI, a quadrilha se popularizou por aqui, fundindo-se a danças e ritmos brasileiros – na Bahia, ganhou até o espantoso apelido de “Baile Sifilítico”, pela tradição de prostitutas na dança.


A famosa “dança do mastro”, realizada em vários países e com uma variante bem popular na Suécia, tem, para alguns estudiosos, uma conotação fálica (comum a rituais de fertilidade do paganismo), com os dançarinos dando voltas ao redor do objeto.


A comida era distribuída em grande quantidade de propósito, para inspirar a fartura desejada nas lavouras, e muitos estudiosos defendem que parte dela era consagrada às falsas divindades – como ainda hoje é feito por adeptos do ocultismo.


Bruxaria velada

Muita gente conhece uma prática bem estranha da época junina: a de se colocar uma imagem de Santo Antônio de cabeça para baixo (às vezes enterrada ou submersa em água), como que a torturar o personagem até que ele arranje um casamento para o “torturador”.


Outro costume dos antigos pagãos perdurou em algumas regiões brasileiras: o de esfregar cinzas já frias das fogueiras juninas no corpo para a cura de doenças. Muita tradição e nenhuma comprovação científica.


Os adeptos do chamado “neopaganismo” realizam celebrações bem parecidas com as festas pagãs originais, inclusive com a fogueira e as danças.


Perigo espiritual?


As informações acima só mostram que as origens dos festejos hoje tão realizados em paróquias católicas (as chamadas “quermesses”, para angariar fundos) e até mesmo em instituições seculares, como escolas e clubes, mesmo que muitos pensem ser inocentes, não têm origem verdadeiramente cristã, nem mesmo para os católicos. Na ânsia de atrair os pagãos para a “catequização”, a Igreja Romana se apoderou das festas para falsos deuses, já que não conseguia proibi-las. Mesmo que hoje as festas não tenham uma ligação tão explícita com a religião, cabe a cada um pensar sobre o costume.


“E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as.


Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha.


Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz.


Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará.


Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.


Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor.”


(Efésios 5:11-17)

Redação Arca Universal

redacao@arcauniversal.com.br

O Livro de Esdras - Série Curiosidades Bíblicas

ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE

Os livro de Esdras continua a história de Israel, relatando os acontecimentos entre 538 e 400 a.C. O tema central é a organização da sociedade, que se formou a partir da volta dos judeus exilados na Babilônia. No início, tratava-se de um livro único, mais tarde separado em duas partes, denominadas 1° e 2° de Esdras. Depois, o segundo recebeu o nome de Neemias. Segundo estudiosos em conjunto, os vinte e três capítulos não se encontram na ordem cronológica e literária original. Em vista dessa dificuldade, é interessante ler todo o texto conforme a seguinte cronologia:
586: Exílio na Babilônia
539: Ciro, rei da Pérsia, conquista a Babilônia
538: Edito de Ciro, permitindo a repatriação dos exilados (2Cr 36; Esd 1)
537: Primeiro grupo de repatriados com Sasabassar; recomeça o culto (Esd 2-3)
536: Preparativos para a reconstrução do Templo; obstáculos internos e externos (Esd 4-5)
520: Atividade dos profetas Ageu e Zacarias
518: Obras do Templo interrompidas e retomadas (Esd 5-6)
515: Dedicação do Templo (Esd 6)
448: Uma colônia de judeus muda para Jerusalém (Esd 4,8-22)
429: Artaxerxes autoriza Esdras a promulgar a Lei (Esd 7-8)
428: Reformas de Esdras (Esd 9-10).

Embora sua leitura implique dificuldades, os livro de Esdras mostra como um grupo se reúne e se organiza para formar sociedade. Certamente, o grupo deverá enfrentar dificuldades econômicas para sobreviver, políticas para constituir o seu espaço e ideológicas para manter a própria identidade original. Na confluência dessas três dificuldades está a espinhosa questão da liderança, para que a comunidade não fique entregue ao arbítrio dos poderosos internos ou externos, mas tenha meios de resolver seus conflitos, defender seus direitos e abrir perspectivas para o futuro. 

 Atribuído a Esdras o livro cujo nome provavelmente signifique “ O Senhor tem ajudado”, deriva o seu título do personagem principal dos caps. 7-10. Não é possível saber com absoluta certeza se foi o próprio Esdras quem compilou o livro ou se foi um editor desconhecido. A opinião conservadora e geralmente aceita é de que Esdras tenha compilado ou escrito este livro juntamente com 1 e 2 Crônicas e Neemias. E mesmo a Bíblia hebraica reconhecia Esdras e Neemias como um só livro. O próprio Esdras era um sacerdote, um “escriba das palavras, dos mandamentos do SENHOR” (7.11). Liderou o segundo dos três grupos que retornaram da Babilônia pra Jerusalém. Como homem devoto, estabeleceu firmemente a Lei (o Pentateuco) como a base da fé (7.10). 

Os eventos de Esdras cobrem um período um pouco maior do que 80 anos e caem em dois segmentos distintos. O primeiro (caps.1-6) cobre um período de cerca de 23 anos e tem como tema o primeiro grupo que retorna do exílio sob Zorobabel e a reconstrução do templo. Depois de mais de 60 anos de cativeiro babilônico, Deus desperta o coração do regente da Babilônia, o rei Ciro da Pérsia, para publicar um édito que dizia que todo judeu que assim desejasse poderia retornar pra Jerusalém a fim de reconstruir o templo e a cidade. 

Um grupo de fiéis responde e partiu em 538 aC sob a liderança de Zorobabel. A construção do templo é iniciada, mas a oposição dos habitantes não judeus desencoraja o povo, e a obra é interrompida. Deus, então, levanta os ministério proféticos de Ageu e Zacarias, que chamam o povo para completar a obra. Embora bem menos esplêndido que o templo anterior, o de Salomão, o novo templo é completado e dedicado em 515 aC. Aproximadamente 60 anos depois (458aC), outro grupo de exilados volta para Jerusalém liderados por Esdras (caps. 7-10). 

São enviados pelo rei persa Ataxerxes, com somas adicionais de dinheiro e valores para intensificar o culto no templo. Esdras também é comissionado para apontar líderes em Jerusalém para supervisionar o povo. Já em Jerusalém, Esdras assumiu o ministério de reformador espiritual, o que deve ter durado cerca de um ano. Depois disso, viveu, provavelmente, com um influente cidadão até à época de Neemias. Sacerdote dedicado, Esdras encontra um Israel que tinha adotado muitas das práticas dos habitantes pagãos; ele chama Israel ao arrependimento e a uma renovada submissão à Lei, ao ponto do divórcio de suas esposas pagãs. 

Duas grandes mensagens emergem de Esdras: a fidelidade de Deus e a infidelidade do homem. Deus havia prometido através de Jeremias (25.12) que o cativeiro babilônico teria duração limitada. No momento apropriado, cumpriu fielmente a sua promessa e induziu o espírito do rei Ciro da Pérsia a publicar um édito para o retorno dos exilados (1.1-4). Fielmente, concedeu liderança (Zorobabel e Esdras), e os exilados são enviados com despojos, incluindo itens que haviam sido saqueados do templo de Salomão (1.5-10) Quando o povo desanimou por causa da zombaria dos inimigos, Deus fielmente levantou Ageu e Zacarias para encorajar o povo a completar a obra. O estímulo dos profetas trouxe resultados (5.1,2). Finalmente, quando o povo se desviou das verdades da sua apalavra, Deus fielmente enviou um sacerdote dedicado que habilidosamente instruiu o povo na verdade, chamando-o à confissão de pecado e ao arrependimento dos seus caminhos perversos (caps. 9-10). A fidelidade de Deus é contrastada com a infidelidade do povo. Apesar do seu retorno e das promessas divinas, o povo se deixou influenciar pelos seus inimigos e desistiu temporariamente (4.24). Posteriormente, depois de completada a obra, de forma que pudesse adora a Deus em seu próprio templo (6.16.18), o povo se tornou desobediente aos mandamentos de Deus; desenvolve-se uma geração inteira cujas “iniqüidades se multiplicaram sobre as vossas cabeças” (9.6). Contudo, como foi dito acima, a fidelidade de Deus triunfa em cada situação. 

 O Espírito Santo em Ação

 A obra do Espirito Santo em Esdras pode ser vista claramente na ação providencial de Deus em cumprir as suas promessas. Isto é indicado pela frase “ a mão do Senhor”, que aparece seis vezes. Foi pelo Espírito que “despertou o Senhor o espírito de Ciro” (1.1) e “tinha mudado o coração do rei da Assíria” (6.22). Teria sido também pelo Espirito Santo que “Ageu, profeta e Zacarias... Profetizaram aos Judeus” (5.1). A obra do Espirito Santo é vista na vida pessoal de Esdras, tanto no sentido de trabalar nele (“Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor”, 7.10), como no sentido de atuar em seu favor (“o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira”. 7.6).

Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

Conhecer a Bíblia é muito importante para todos nós, especialmente nos momentos mais difíceis de nossas vidas, pois Deus fala conosco por meio de Sua Palavra. O Espírito Santo nos conduz, nos orienta, e quando passamos por tribulações, Ele nos faz lembrar do que está escrito na Bíblia, de uma Palavra de Deus que nos conforte. Mas só nos lembraremos se tivermos conhecimento Dela. Por isso, iniciamos a Série Curiosidades Bíblicas, com objetivo de despertar o interesse no leitor do Blog pelo conhecimento minucioso da Palavra de Deus, na Série Curiosidades Bíblicas utilizamos como base diversos materiais teológicos, dentre eles destacamos Bíblia Apostólica e Edição Pastoral alem de artigos diversos de teólogos conceituados. A Série Curiosidades Bíblicas não apresenta obrigatoriamente a nossa opinião.

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Os livros das Cronicas - Série Curiosidades Bíblicas

REVISÃO DA HISTÓRIA DO POVO

1º e 2º Cr eram originalmente um só livro. Como a identidade do autor dessa obra não é explicitada em 1º nem em 2ª Cronicas, muitos optaram por se referir a esse autor desconhecido simplesmente como “o cronista”. No entanto, Esdras é o candidato mais provável para a autoria de Crônicas. A antiga tradição judaica do Talmude afirma que Esdras escreveu o livro. Além disso, os versículos finais de 2 cronicas (2Cr 36.22,23) repetem-se como os versículos iniciais de Esdras (ver Ed 1.1-3). Isso não apenas reforça o argumento que aponta Esdras como autor de 1ºCr, mas pode ser também uma indicação de que Crônicas e Esdras tenham sido em algum momento uma única obra. Soma-se a isso o fato de que 1 e 2Cr tenham estilo, vocabulário e conteúdo similares. Esdras era tanto escriba como profeta e desempenhou um papel significativo na comunidade de exilados que retornou à cidade de Jerusalém. Apesar de não podermos afirmar com certeza absoluta, é razoável assumir que “ o cronista” tenha sido Esdras.

Os dois livros de cronicas ocupam o último lugar na Bíblia hebraica, o que é indicticio de sua origem relativamente recente. Quando o autor escreveu os livros das Crônicas, já existia a grande história, formada pelos livros de Josué, Juízes, Samuel e Reis. Bastaria acrescentar alguns capítulos sobre a volta do exílio e a vida da comunidade até o início do séc. IV a.C. O autor, porém, tinha sérios motivos para apresentar outra versão de toda a história do seu povo (cf. «A história desde Adão até a fundação do judaísmo - post anterior»).

À primeira vista, sua história parece repetição de narrações já existentes. A leitura atenta, porém, perceberá muitas diferenças, devidas à exclusão de materiais, ao acréscimo de outros e, muitas vezes, manipulações sutis dos relatos. O que o autor pretende é reconsiderar o passado, a partir da situação da comunidade judaica do seu tempo. Assim, a personagem principal dessa história é o Templo de Jerusalém moradia autêntica do Deus de Israel no meio de seu povo e portanto o único lugar de culto legitimo ao senhor, ao passo que os reis do Norte patrocinavam um culto ao mesmo Deus , mas em santuários que o cronista considera ilegítimos. Nas figuras dos sacerdotes e levitas que no templo exercem suas funções; os sacerdotes com o culto e os levitas com a transmissão das legítimas tradições do povo. É fácil perceber que toda a história precedente atinge seu ápice no Templo e que dele dependem todas as reformas político-religiosas posteriores; os reis são julgados a partir de suas relações com o Templo e o culto ao Deus de Israel. Além disso, toda a história do reino do Norte é omitida, pois no tempo do autor os samaritanos eram inimigos acirrados da organização da comunidade judaica centrada em Jerusalém.

Ponto importante é a atenção especial que se reserva aos levitas, nas listas genealógicas e na narrativa propriamente dita. Os levitas pontilham essa história com sua presença, palavra e ideologia. É a maneira que o autor, certamente um levita, encontra para recuperar as tradições das tribos do Norte, que haviam mais bem conservado os ideais democráticos e igualitários. Como os levitas eram muito ligados aos círculos proféticos do Norte, encontramos muitas menções de profetas e o título de profeta é dado até mesmo ao levita (cf. 1Cr 25,1-5). Essa é uma diferença essencial com a história narrada nos livros dos Reis, onde o levita Abiatar e com ele certamente o levitismo foi expulso de Jerusalém por Salomão (cf. 1Rs 2,26-27, passagem que o autor de Crônicas omite). Os livros das Crônicas, portanto, oferecem uma versão da história que reivindica e justifica a função do levita na liderança da comunidade judaica. Graças a ele, os ideais do êxodo e de uma sociedade igualitária permanecem vivos, à espera de uma ocasião histórica propícia que torne possível a sua concretização.

Davi e salomão também figuram como personagens central da historia narrada pelo cronista, no que tange a construção, ornamentação bem como à organização do culto no Templo de Salomão. Davi mais que Salomão, em 2º Samuel 7, Davi apenas exprimiu a intenção de construir o templo, sendo dissuadido pelo profeta Natã de realiza-lo. O Cronista mostra que Davi fez mais que simplesmente expressar a intenção. Ele projetou, com os mínimos detalhes, e ajuntou imensa quantidade de material e dinheiro para a construção e muitas preciosidade para a ornamentação, cabendo a Salomão apenas a tarefa de executar fielmente o que seu pai havia projetado. 

Davi era figura idealizada, modelo supremo dum rei justo e santo, por isso tipo do Messias esperado. Dai não admira que o cronista tenha omitido na memória tudo que possa deslustrar Davi. Ele nada conta, por exemplo, a respeito do adultério de Davi com a mulher de Urias e omite também a história da revolta de Absalão, que em 2º Samuel ocupa seis capítulos (cf. 2º Samuel 13-18). Por razão semelhante Salomão executor da construção do templo tem sua memoria o quanto possível preservada de manchas, são omitidas as intrigas e matanças ocorridas pela ascensão de Salomão ao Trono (1Rs 1-2), Assim como a decadência moral desse soberano no fim de seu reinado (1Rs 11).  A ação salvífica de Deus tem um relevo nessa historia, em ações de homens uns bons outros maus, mas num plano superior e misterioso Deus a orienta como sua providencia, que por vezes parece omitir-se e deixar as coisas correrem, mas no final sempre dá a cada um e a cada povo o que merece. 

Assim, entre os sucessores de Davi uns foram elogiados pelo que fizeram em favor do templo e do culto a Deus. Outros foram indignos do trono. os últimos reis de Judá são apresentados como maus, e por isso o povo passa pelo exílio babilônico, o qual durou cerca de meio século. A obra termina com o decreto de Ciro, rei da pérsia, o qual concede aos judeus exilados a permissão de voltar a patria e reconstruir o templo destruído pelos babilônios. Com isto começa uma nova etapa na história da salvação, como o mesmo cronista nos conta nos livros de Esdras e Neemias.

O Espírito Santo em Ação
Há duas referências claras ao Espirito Santo em 1ºCr. A primeira´está em 12.18, em que o “Espírito” entrou em Amasai e o capacitou a fazer uma declaração inspirada. E a segunda em 28.12, a qual explica que por meio do ministério do Espírito (ânimo) os planos do templo foram revelados a Davi. Já em 2º Cronicas há três referências claras ao Espirito Santo. É identificado como o “Espírito de Deus” (15.1; 24.20) e como o “Espírito do SENHOR” (20.14). Nessas referências, o ES inspirou ativamente Azarias (15.1), Jaaziel (20.14) e Zacarias (24.20) para que falassem da parte de Deus.
Além dessas referências, muitos vêem a presença do ES na dedicação do templo (5.13,14).


Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

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Mãe, Um Pedaço do Céu - Leonardo Sulivan

Homenagem do Blog à todas as amigas leitoras que são mães. Feliz dia das mães!!

DE ADÃO ATÉ O JUDAÍSMO - Série Curiosidades Bíblicas

Os dois livros das Crônicas, juntamente com os livros de Esdras e Neemias, formam um conjunto coerente elaborado provavelmente nos inícios do séc. IV a.C. Temos aqui um grande conjunto narrativo, que vai desde Adão até a organização da sociedade judaica depois do exílio na Babilônia (por volta de 400 a.C.). Essa história pode ser dividida em três grandes partes:
- 1Cr 1-9: História de Adão até Saul, cuja seqüência é construída graças a árvores genealógicas, elaboradas a partir de tradições antigas, de palavras de profetas e material acrescentado pelo próprio autor.
- 1Cr 10-2Cr 36: História da monarquia, desde Davi até Sedecias. O autor parece repetir as narrativas dos livros de Samuel e Reis. A leitura atenta, porém, mostra que ele recorre a outras fontes.
- Esdras e Neemias: História dos repatriados, desde o retorno do exílio até o ano 400 a.C. O autor se preocupa em mostrar os problemas dos judeus repatriados e a ação de Neemias e Esdras para organizar a sociedade judaica.

O conjunto dessa história procura mostrar o estatuto da sociedade judaica, reunida em Jerusalém e centrada no culto e na lei (Fidelidade a Deus). Sob o domínio persa, os judeus agarram a única possibilidade que lhes resta para recuperar e preservar a sua identidade como povo: a tradição religiosa dos antepassados, que agora se transforma em lei. No contexto pós-exílico, o Templo passa a ser o centro da vida da sociedade, como lugar de culto e da transmissão da lei, que fornecem a estrutura social da comunidade.

O autor, porém, não pretende apenas narrar a história dos judeus. Ele quer discutir e abrir perspectivas sobre a estrutura da própria comunidade judaica. Questão central é o problema da liderança que vai governar. Como os judeus só podem se estruturar a partir da religião, é natural que os sacerdotes detenham a liderança. Resta, porém, uma pergunta: Qual é o sacerdócio legítimo? Os descendentes do levita Aarão ou os descendentes de Sadoc? No exílio, os sacerdotes tinham elaborado complicadas genealogias para ligar Sadoc a Aarão, resolvendo assim a questão da legitimidade em favor dos descendentes de Sadoc. 

Diante disso, fica outra pergunta: E os levitas, descendentes diretos de Aarão? Desde o tempo de Salomão, eles tinham sido expulsos de Judá e passaram a exercer suas atividades entre as tribos do Norte, que formaram o reino de Israel. Ligados aos profetas, eles preservaram e produziram tradições que formaram o livro do Deuteronômio, o qual influenciou grandes reformas no reino de Judá. Depois do exílio, esses levitas se viram reduzidos a meros empregados dos sacerdotes.

O autor, muito provavelmente levita, produz toda essa literatura para reabilitar historicamente a figura do levita e, assim, reivindicar sua importância ao lado do sacerdócio para o governo da comunidade. É nesse sentido que podemos interpretar a expressão «aliança dos sacerdotes e levitas» em Ne 13,29 e a insistência contínua do autor em mostrar a importância do levitismo em toda a sua versão da história.

É claro que o autor não quer apenas arrumar emprego para os levitas. O que ele pretende é preservar a tradição profética, conservada pelos levitas, a fim de que a comunidade judaica não fique reduzida ao culto formal, mas seja capaz de se organizar socialmente, segundo o projeto de Deus, dentro da legítima tradição do Êxodo. É inegável que essa tradição foi transmitida pelos levitas, que procuravam atualizá-la e aplicá-la às situações concretas, visando sempre em primeiro lugar à causa do povo e à defesa de uma sociedade justa e igualitária. Podemos, portanto, dizer que essa obra histórica é uma grande reivindicação para a reabilitação daqueles que se colocam como defensores dos interesses do povo, protegendo-o de possíveis arbitrariedades, tanto internas como externas.

Nas próximas posts vamos tratar separadamente os livros de Cronicas, Esdras e Neemias.

Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

Conhecer a Bíblia é muito importante para todos nós, especialmente nos momentos mais difíceis de nossas vidas, pois Deus fala conosco por meio de Sua Palavra. O Espírito Santo nos conduz, nos orienta, e quando passamos por tribulações, Ele nos faz lembrar do que está escrito na Bíblia, de uma Palavra de Deus que nos conforte. Mas só nos lembraremos se tivermos conhecimento Dela. Por isso, iniciamos a Série Curiosidades Bíblicas, com objetivo de despertar o interesse no leitor do Blog pelo conhecimento minucioso da Palavra de Deus, na Série Curiosidades Bíblicas utilizamos como base diversos materiais teológicos, dentre eles destacamos Bíblia Apostólica e Edição Pastoral alem de artigos diversos de teólogos conceituados. A Série Curiosidades Bíblicas não apresenta obrigatoriamente a nossa opinião.

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Os Livros dos Reis - Série Curiosidades Bíblicas

DA GLÓRIA À RUÍNA

Os livros dos Reis eram, originalmente, um só livro, que continuava a narrativa de 1 e 2 Sm. Os compositores do AT grego (Septuaginta ou LXX) dividiram a obra em “3 e 4 Reinos” (1 e 2 Sm eram 1 e 2 Reinos). O Título “Reis” se deriva da tradução latina de Jerônimo (Vulgata) e é apropriado por causa da ênfase desses livros nos reis que governaram durante este período. Esta obra deve ter sido compilada algum tempo depois da tomada de Judá pelos babilônios em 586 aC. O livro dá a impressão de ser obra de um só autor e de que este autor tenha testemunhado a queda de Jerusalém. Embora a autoria não possa ser determinada com segurança, muitas sugestões foram feitas. Alguns tem indicado Esdras como compilador, enquanto outros apontam para Isaías como editor. Muitos eruditos dizem que o autor de 1 e 2 Rs era um profeta desconhecido ou um judeu cativo da Babilônia ao redor de 550 aC. seja o autor. A antiga tradição judaica do Talmude declara que Jeremias tenha escrito Rs. Esse famoso profeta pregou em Jerusalém antes e depois da sua queda, e 2 Rs 24-25 aparece em Jr 39-42; 52. Jeremias talvez tenha escrito todo o texto, menos o conteúdo do último apêndice (2Rs 25.27-30), que foi provavelmente, acrescentado por um dos seus discípulos.

Os livros relatam acontecimentos que vão de 971 a 561 a.C., continuando a história da monarquia iniciada com Saul e Davi. Depois de Salomão, o império se divide (931 a.C.) em dois reinos: o reino de Israel, com sede em Samaria, que caiu em poder da Assíria em 722 a.C., e o reino de Judá, com sede em Jerusalém, que caiu em poder da Babilônia em 586 a.C. Mais do que uma relação pormenorizada de acontecimentos, estes livros fornecem uma reflexão crítica sobre a história do povo e dos reis que o governaram: a fidelidade a Deus leva à bênção e à prosperidade; a infidelidade leva à maldição, à ruína e ao exílio (cf. 2Rs 17,7-23).

O critério da apreciação dos reis é a centralização do culto no templo de Jerusalém: Os que toleraram ou praticaram cultos fora deste templo, são todos reprovados. Portanto Jeroboão e todos os demais reis do norte são condenados pelo "pecado de Jeroboão" que consistiu na ereção e manutenção dos santuários de Dã e Betel. A maior parte dos reis do Sul são reprovados por terem tolerado ou não terem suprimido cultos fora do templo de Salomão. Apenas Ezequias e Josias são plenamente aprovados, enquanto Asa, Josafá, Joás , Azarias e Joatão o são com ressalvas.

No início, encontramos de novo uma teologia da autoridade política: o rei deve ser fiel a Deus (1Rs 2,3) e governar com sabedoria e justiça, servindo o povo (1Rs 12,7), que pertence unicamente a Deus (1Rs 3,8-9). Mas os reis são sempre infiéis, pois fazem «o que Deus reprova»: praticam a idolatria; «vendem» a nação para os estrangeiros; perseguem os profetas; dividem, exploram e oprimem o povo. Como conseqüência, Israel e Judá são levados à ruína.

O Templo e o profetismo têm um papel importante nessa história. O Templo é o lugar da reunião de todo o povo para o encontro com Deus, em todas as circunstâncias da vida nacional (1Rs 8). A reforma de Josias procura reunir novamente todo o povo a partir do culto no Templo (2Rs 22-23). Os profetas são aqueles que mantêm viva a consciência do povo, os vigias das relações sociais e os grandes críticos da ação política dos reis. Sua intenção de fazer respeitar a justiça e o direito está sempre em primeiro plano, e eles se ocupam tanto de religião como de moral e política, pois tudo deve estar submetido a Deus, o único rei sobre o povo (cf. Is 6,5; 44,6; Zc 14,16).

As decepções com a monarquia se multiplicaram e, com a queda dos reinos de Israel e de Judá, volta o antigo ideal igualitário das tribos, formulado agora por Jeremias como Nova Aliança: uma sociedade sem mediações, na qual o próprio povo governa a si mesmo, graças ao conhecimento de Deus (Jr 31,31-34). De fato o poder pertence à essência de Deus, e não à essência da humanidade. A humanidade é formada de pessoas relativas, isto é, de seres que se descobrem, se desenvolvem e se realizam dentro de relações que, para serem verdadeiramente humanas, devem ser justa.

A Bíblia mostra que o Reino de Deus, sempre vindo no horizonte da história, é o advento da humanidade unida e democrática, onde não há mais pobres e ricos, nem fracos e poderosos, e sim a justiça e o equilíbrio. O sentido último da existência de qualquer autoridade é servir ao advento do Reino de Deus, o que significa também ter a vocação de diminuir-se a si mesma, até tornar-se desnecessária e desaparecer. A ingratidão e infidelidade do povo eleito, a consequente ruína de Israel e depois de Judá parecem fazer fracassar o plano de Deus. Mas, apesar de tudo, sempre fica uns poucos fiéis que não se dobram a Baal, uns poucos de Sião que mantem a aliança. Estes poucos bastam para deixar viva a promessa da futura salvação.  O plano salvífico de Deus se mantem firme e inalterado, aparece na subsistência admirável da dinastia davídica, na qual repousam as promessas messiânicas, ao passo que o reino do Norte as dinastias se sucedem com muito sangue e violência. Todas as formas de absolutismo significam uma regressão no processo histórico. Regressão voltada para o fracasso, pois a história caminha para a meta que Deus fixou: o Reino.

Note-se a grande importância que é dada à pregação e atuação dos profetas, procurando manter o povo fiel a Deus e a aliança com Ele: "homem de Deus" em Betel, Aias,Elias,e Eliseu, Miqueias, Jonas e tantos outros.

Cristo Revelado
O fracasso dos profetas, sacerdotes, e reis do povo de Deus aponta para a necessidade do advento de Cristo. Cristo é a combinação ideal desses três ofícios. Como profeta, a palavra de Cristo ultrapassa largamente à do ofícios. Como profeta, a palavra de Cristo ultrapassa largamente à do grande profeta Elias (Mt 17.1-5), Muitos dos milagres de Jesus são reminiscências das maravilhas que Deus fez através de Elias e Eliseu em Reis. Além disso, Cristo é um sacerdote superior a qualquer daqueles registrados em Reis (Hb 7.22-27). 1Rs ilustra vivamente a necessidade de Cristo como o nosso Rei em exercício de suas funções. Quando perguntado se era rei dos judeus, Jesus afirmou que era (Mt 27.11). No entanto, Jesus é um Rei maior do que o maior dos seus reis (Mt 12.42). O reinado de cada um desses 26 governantes já terminou, mas Cristo reinará sobre o trono de Davi pra sempre (1Cr 17.14; Is 9.6), pois ele é “REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.16).


O Espírito Santo em Ação
1 Rs 18.12 contém a única referência direta ao Espírito Santo, onde é chamado de “Espírito do Senhor”. 
As palavras de Obadias lá indicam que as vezes o ES transportava Elias de um lugar para outro (ver também 2Rs 18.12) Percebe-se uma relação com At 8.39-40, em que se descreve Felipe como tendo uma experiência similar.

Há uma alusão, em 18.48 (“a mão do SENHOR”), à ação do ES em capacitar Elias para operar milagres, A fórmula “mão do SENHOR” é uma referência à inspiração dos profetas pelo Espírito de Deus (ver 2Rs 3.15 e Ez 1.3; comparar com 1Sm 10.6,10 e 19.20,23). Aqui “a mão do SENHOR” se refere ao ES que dotou Elias com poderes sobrenaturais para realizar uma façanha surpreendente. Há também uma referência indireta ao ES na frase “Espírito de Elias” em 1.9,15. Aqui Eliseu tenta receber o mesmo poder de Elias para levar adiante o ministério profético do seu antecessor. O espírito enérgico ou o poder que capacitava Elias a profetizar era o Espírito de Deus. 2Rs 2.9,16 fornece um paralelo interessante entre o AT e At 1.4-9 e 2.1-4. Elias foi elevado ao céu, Eliseu procurou a promessa de que receberia poder para levar adiante o ministério do seu mestre, e a promessa foi cumprida. Da mesma maneira, Jesus ascendeu, os discípulos aguardaram o cumprimento da promessa, e o ES desceu para capacitá-los a levar adiante a obra que seu mestre começou. Uma alusão final ao ES aparece em 2Rs 3.15. Aqui a “mão do Senhor” veio sobre Eliseu, capacitando-o a profetizar ao rei Josafá. A formula “a mão do SENHOR” se refere à inspiração divina dos profetas. 

Além dessas passagens, 1Rs 22.24 pode ser outra referência ao ES. Esse versículo se refere a um “espírito do SENHOR” e pode indicar que os profetas compreendiam que o seu dom de profecia vinha do Espírito de Deus (ver 1Sm 10.6,10; 19.20,23). Se esta interpretação é aceita, então estaria em paralelo com 1Co 12.7-11, que confirma que a habilidade pra profetizar é realmente uma manifestação do ES.

Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

Conhecer a Bíblia é muito importante para todos nós, especialmente nos momentos mais difíceis de nossas vidas, pois Deus fala conosco por meio de Sua Palavra. O Espírito Santo nos conduz, nos orienta, e quando passamos por tribulações, Ele nos faz lembrar do que está escrito na Bíblia, de uma Palavra de Deus que nos conforte. Mas só nos lembraremos se tivermos conhecimento Dela. Por isso, iniciamos a Série Curiosidades Bíblicas, com objetivo de despertar o interesse no leitor do Blog pelo conhecimento minucioso da Palavra de Deus, na Série Curiosidades Bíblicas utilizamos como base diversos materiais teológicos, dentre eles destacamos Bíblia Apostólica e Edição Pastoral alem de artigos diversos de teólogos conceituados. A Série Curiosidades Bíblicas não apresenta obrigatoriamente a nossa opinião.

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Os Livros de Samuel - Série Curiosidades Bíblicas

FUNÇÃO DA AUTORIDADE

Os dois livros hoje conhecidos como 1 e 2 Sm eram originalmente um só livro denominado “O Livro de Samuel”. Não se sabe com exatidão quem realmente escreveu o livro. Sem dúvida, Samuel registrou boa parte da história de Israel neste período. No entanto, outros materiais haviam sido colecionados e puderam ser usado como fontes pelo autor real. Três dessas fontes são mencionadas em 1Cr 29.29, a saber: as “crônicas de Samuel, o vidente”, as “crônicas do profeta Natã” e as “crônicas de Gade, o vidente”. Tanto Gade como Abiatar tinham acesso aos eventos da corte do reino de Davi, de forma que ambos são candidatos à autoria desses dois livros. Os livros relatam acontecimentos que se situam entre 1040 e 971 a.C data posterior à divisão do reino em duas partes, divisão que aconteceu logo depois do governo de Salomão. Israel havia sido governado por juizes que Deus levantou em momentos cruciais da história da nação; no entanto, a nação havia se degenerado moralmente e politicamente. Havia estado sob a investida violentas e desalmadas dos filisteus. O templo de Siló fora profanado e o sacerdócio se mostra corrupto e imoral. Em meio a essa confusão política e religiosa surge Samuel. Temos aí uma análise crítica do aparecimento da realeza em Israel, análise que pode ajudar a avaliar nossos sistemas e homens políticos, bem como qualquer outra autoridade.

Em  1Sm temos duas versões do surgimento da autoridade política central: a primeira é contrária e hostil à monarquia (1Sm 8; 10,17-27), representando a visão mais democrática das tribos do Norte, que viviam em terras mais produtivas. A segunda versão é favorável à monarquia (1Sm 9,1-10,16; 11) e representa a visão da tribo de Judá, que vivia em terras menos produtivas. Unindo as duas versões, vemos que a autoridade é um mal necessário (embora justificável, ela pode se absolutizar, explorar e oprimir o povo) e, ao mesmo tempo, um dom de Deus (uma instituição mediadora, que deve re-presentar, isto é, tornar presente o próprio Deus, único rei que liberta e governa o seu povo).

1Sm oferece, portanto, uma visão crítica da autoridade política. Mostra que Deus é o único rei sobre o seu povo. Para ser legítimo, o rei humano (e seus equivalentes) deve ser representante de Deus, isto é, servir a Deus através do serviço ao povo. E isso compreende duas funções:
função externa: reunir e liderar o povo, auxiliando-o a proteger-se e a libertar-se dos seus inimigos (1Sm 9,16; Sl 110,2);
função interna: organizar o povo e promover a vida social conforme a justiça e o direito (Sl 72; Dt 17,14-20; Pr 16,12; 29,14).
As duas funções se resumem, portanto, numa dupla relação: obedecer a Deus e servir ao povo. Qualquer autoridade que não obedece a Deus e não serve ao povo é ilegítima e má, pois acaba ocupando o lugar de Deus para explorar e oprimir o povo.

2Sm está centrado na figura de Davi, cuja história começa propriamente em 1Sm 16, e nas lutas dos pretendentes ao trono de Jerusalém. Podemos dizer que 2Sm continua a avaliação do sentido e da função da autoridade política. Davi é apresentado como o rei ideal, que obedece a Deus e serve ao povo. Graças à sua habilidade política, ele consegue aos poucos captar a simpatia das tribos, sendo primeiro aclamado rei de Judá, sua tribo, e depois rei também das tribos do Norte. Após ter conseguido reunir todo o povo, Davi conquista Jerusalém e a torna, ao mesmo tempo, o centro do poder político e da fé de Israel.

O ponto mais alto da sua história é a profecia de Natã (2Sm 7), em que o profeta anuncia que o trono de Jerusalém sempre será ocupado por um messias (= rei ungido) da família de Davi. É a criação da ideologia messiânica: o povo será sempre governado por um messias descendente de Davi. Logo depois começa a competição pelo poder e pela sucessão e, finalmente, o trono é ocupado por Salomão que, por si, não era o herdeiro direto (2Sm 9-1Rs 2).

Davi passou para a história como o modelo da autoridade política justa. Por isso, mesmo com o fim da realeza, os judeus permaneceram confiantes no ideal messiânico e ficaram à espera do messias que iria reunir o povo, defendê-lo dos inimigos e organizá-lo numa sociedade justa. Dizendo que Jesus é descendente de Davi, os Evangelhos mostram que ele é o Messias esperado (daí o nome gregoCristo = Messias). Ele veio para reunir todos os homens e levá-los à vida plena, na justiça do Reino de Deus.

Cristo Revelado

Em 1Sm notamos que as semelhanças entre Jesus e o pequeno Samuel são surpreendentes. Ambos são filhos de promessa. Ambos foram dedicados a Deus antes do nascimento. Ambos forma pontes de transição de um estágio da história da nação para outro. Samuel acumulou os ofícios de profeta e sacerdote; Cristo é profeta, sacerdote e rei. O fim trágico de Saul ilustra o destino final dos reinos terrenos. A única esperança é um Reino de Deus na terra, cujo soberano seja o próprio Deus. Em Davi começa a linhagem terrena do Rei de Deus. Em Cristo, Deus vem como Rei e virá novamente como Rei dos reis. Davi, o pequeno e humilde pastor, prefigura a Cristo, o bom pastor. Jesus torna-se o Rei-pastor definitivo.


Em 2Sm observamos que Davi e seu reino esperavam a vinda do Messias. O cap. 7, em especial, antecipa o futuro Rei. Deus interrompe os planos de Davi de construir uma casa para a arca e explica que enquanto Davi não pode construir uma casa para Deus, Deus está construindo uma casa para Davi, ou seja, uma linhagem que dure para sempre. Pela sua vitória sobre todos os inimigos de Israel, pela sua humildade e compromisso com o Senhor, pelo seu zelo a favor da casa de Deus e pela associação dos ofícios de profeta, sacerdote e rei na sua pessoa, Davi é um precursor da Raiz de Jessé, Jesus Cristo.

O Espírito Santo em Ação

1Sm contém notáveis exemplos da vinda do Espírito Santo sobre os profetas, bem como sobre Saul e seus servos. Em 10.6, o Espírito Santo vem sobre Saul, que profetiza e “se transforma em outro homem”, isto é, é equipado pelo Espírito para cumprir o chamado de Deus. Depois de ser ungido por Samuel, “desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi” (16.13). O fenômeno do Espírito inspirando a adoração ocorre no cap. 10 e em 19.20. Esse fenômeno não é como o frenesi impregnado de emotividade dos pagãos, mas verdadeira adoração e louvor a Deus pela inspiração do Espírito, em semelhança ao ocorrido no dia de Pentecostes (At 2). Mesmo nos múltiplos usos do éfode, Urim e Tumim, esperamos ansiosamente pelo momento em que o “Espírito da Verdade” nos irá guiar em “toda a verdade”, nos falará sobre “o que há de vir” e “há de receber do que é meu (de Jesus)” e no-lo “há de anunciar” (Jo 16.13,14).

Jesus explicou a obra do Espírito em Jo 16.8: E, quando ele vier convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo.” Nós vemos claramente a ação do Espírito Santo através desses dois modos em 2 Sm. Ele atuava com mais freqüência através do sacerdócio. Sua atuação como conselheiro pode ser apreciada nas muitas ocasiões em que Davi “consultou o Senhor” através do sacerdote e do éfode. A obra de convencer e de condenar do Espírito é claramente percebida quando o profeta Natã enfrenta Davi por causa do seu pecado com Bate-Seba e Urias. O pecado de Davi é desnudado, a justiça é feita, e o julgamento é anunciado. Isso, no quadro microcósmico de 2 Sm, ilustra o amplo ministério do Espírito Santo no mundo através da igreja investida do poder do Espírito.

Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

Conhecer a Bíblia é muito importante para todos nós, especialmente nos momentos mais difíceis de nossas vidas, pois Deus fala conosco por meio de Sua Palavra. O Espírito Santo nos conduz, nos orienta, e quando passamos por tribulações, Ele nos faz lembrar do que está escrito na Bíblia, de uma Palavra de Deus que nos conforte. Mas só nos lembraremos se tivermos conhecimento Dela. Por isso, iniciamos a Série Curiosidades Bíblicas, com objetivo de despertar o interesse no leitor do Blog pelo conhecimento minucioso da Palavra de Deus, na Série Curiosidades Bíblicas utilizamos como base diversos materiais teológicos, dentre eles destacamos Bíblia Apostólica e Edição Pastoral alem de artigos diversos de teólogos conceituados. A Série Curiosidades Bíblicas não apresenta obrigatoriamente a nossa opinião.

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